Ciberativismo: jogos alternativos e de qualidade

O site Molleindustria foi desenvolvido por artistas, desingers e programadores italianos e lançado em dezembro de 2003. A proposta do grupo é usar a popularidade e o aspecto lúdico dos videogames para subverter o sistema. Sob o lema “Não odeie a mídia. Torne-se a mídia”, o site oferece jogos de complexidade e estilos variados. Os assuntos são diversos e abordam a (in)tolerância religiosa, a corrida pelo petróleo, pedofilia na Igreja Católica e os direitos autorais, por exemplo.

molleindustria

Com bom humor e ironia, os responsáveis pelo projeto apresentam artigos sobre o grupo publicados em veículos de diversos países. O subtítulo dessa sessão diz “nós não gostamos da mídia, mas a mídia gosta de nós.” Outro jogo ciberativista também foi lançado recentemente pelo Greenpeace, o “WeAtheR”. Trata-se de uma paródio de um dos mais famosos jogos de tabuleiro do mundo, o “War”. Na versão ecologicamente correta, o jogador precisa fazer um rápido cadastro e pode escolher entre quatro animais para representá-lo no tabuleiro. O jogo é online e pode ser disputado por, no máximo, quatro pessoas. O objetivo é resolver as crises ambientais em até 16 rodadas.

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Molleindustria está disponível em italiano e inglês e o “WeAtheR“, em português.

por Mário Braga

Frase da Semana

gafe“Sobrecarregar”

Gafe da Secretária de Estado dos EUA, Hillary Cinton, ao presentear o ministro das Releções Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov. O botão, com a tradução errada de “Reset” (reiniciar), buscava simbolizar o novo começo nas relações entre os dois países.

Frase da Semana

lula11

“Tem horas que me sinto um Dom Quixote. Às vezes me sinto sozinho tentando pregar o otimismo”

por Lula

Que as águas de março fechem o verão

O ano caminha para a reta final e é inevitável não lembrar isso. Não porque esteja acabando, mas sim por se tratar de 2008. Sem dúvida, várias gerações futuras vão lembrar e até mesmo estudar esses doze meses. Muita coisa aconteceu. E não foi somente isso. Muita coisa importante aconteceu.
Detalhar todos os fatos ocorridos é difícil, porém, muitos devem ser registrados. A maior potência do mundo vai ter, pela primeira vez na história, um presidente negro. O que parece não ser tão expressivo hoje, na realidade é um sonho que começa a se consumar. O sonho no qual Martin Luther King falava na década de 60. Ainda não é o ideal, uma vez que o preconceito é forte nos EUA, mas já é um importante passo para uma sociedade mais igualitária. Na Fórmula 1, o mesmo feito. O que era impensável há algum tempo se concretizou. Lewis Hamilton, um negro, é o melhor da categoria. Tristeza aos brasileiros, que viram Felipe Massa a um triz de conquistar o título. No entanto, a paixão e orgulho brasileiros pelo esporte voltaram a existir como nos velhos e bons tempos de Senna, Piquet e Fittipaldi.
Lewis Hamilton e Barack Obama

Lewis Hamilton e Barack Obama

Esse ano retoma-se a discussão política e econômica mundial. A crise financeira assusta como 1929, e vem à tona até que ponto o mercado deve se auto-regular sem quaisquer interferências do Estado. A grande polêmica de todo o século XX está de volta, mas em moldes diferentes. Ainda no campo político, o Brasil atravessou mais um ano de eleições municipais. Ocorreram atrasos e avanços. A democracia brasileira amadurece, mas infelizmente, persiste a corrupção de compra de votos. A Polícia Federal continuou cassando políticos, combatendo a corrupção até mesmo dentro da própria instituição. Prato cheio também nas páginas policiais. O trágico caso da menina Isabella Nardoni e mais recentemente o assassinato da jovem Eloá.
Ninho do pássaro, em Pequim.

Ninho do pássaro, em Pequim.

Ano do esporte também. As Olimpíadas de Pequim foram históricas. A hegemonia dos EUA foi quebrada. A China surge como a grande potência esportiva e mostra sua força política. O Campeonato Brasileiro está prestes a ver algo inédito. Desde 1971, quando surgiu a competição, é a primeira vez que um time está muito próximo de conquistar o torneio pela terceira vez consecutiva. Os pontos corridos mostram a verdadeira face dos times brasileiros. Os que se preparam, como São Paulo, Cruzeiro e Palmeiras, no topo da tabela. Enquanto os desorganizados Vasco e Santos lutam para não serem rebaixados para a série B.
Esse ano também é de comemorações. Há 50 anos surgia a Bossa Nova. Um verdadeiro marco da música brasileira, que colocou o talento do Brasil para o mundo inteiro. Também em 1958, o Brasil vencia sua primeira Copa do Mundo, mostrando o talento de Pelé e Garrincha. Os 200 anos da chegada da família real portuguesa no Brasil, e uma colônia que se encaminhava para a independência.
Lula observa cidade alagada em SC

Lula observa cidade alagada em SC

O ano vai chegando ao fim, e cidades brasileiras afundam nas águas. As chuvas mal começaram, mas já trouxeram estragos irreversíveis. Cidades inteiras paradas. Realmente muita coisa aconteceu e a natureza continua a ser prejudicada. As guerras não terminam. Conflitos no Leste Europeu, no Oriente Médio, na Índia, nas favelas do Brasil. O tempo passa, e a humanidade não sai do lugar. 2008 é como se fosse uma aula de História. Política, economia e sociedade tão pensadas e revistas. Mas o que se vê é o tempo repetindo. A mesma história de sempre. Ano passa, ano vem e o mesmo persiste. Até quando o ano seguinte vai ser a esperança? 2009 chega e com ele muitas perspectivas (as mesmas que serão escritas daqui um ano). E o que esperam nesse momento é que as águas de março fechem o verão e que venha a promessa de um político ladrão.
por Valentim Júnior

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Frase da Semana

VENEZUELA/REFERENDO

“Tomara que não matem Obama”.

por Hugo Chávez

Zona Política – 26/11/2008

Giro de Notícias

LOCAIS

Arcelor reduz produção e dá férias coletivas para 65% dos funcionários

A ArcelorMittal vai dar férias coletivas a 65% do seu quadro, o equivalente a quase 750 da siderúrgica. Eles vão ficar parados entre 13 de dezembro e 2 de janeiro. A medida é um reflexo da crise financeira global e tem o objetivo de promover ajustes na produção por causa da queda da demanda. Segundo a empresa, já houve redução de 10 a 20% na produção local nesse último trimestre.

Comunidade pressiona vereadores para manter desconto de 99% no IPTU

Representantes da Sociedade Independente Amigos dos Bairros da Zona Norte e Distritos de Juiz de Fora pressionaram o Legislativo e encaminharam aos vereadores ofício no qual reivindicam manutenção do desconto de 99% do IPTU. O fim do benefício está previsto na proposta do IPTU para 2009, que está em pauta na Câmara. Além disso, a entidade quer que o benefício seja estendido para indústria e o comércio.

INTERNACIONAIS

Banco Central dos Estados Unidos anuncia plano de U$800 bilhões de dólares

O FED, o Banco Central dos Estados Unidos, liberou mais U$800 bilhões de dólares para amenizar o impacto da crise. Do total, U$600 bilhões vão para o mercado imobiliário, a origem da crise econômica. O dinheiro vai comprar dívidas relativas a hipotecas. Por lá, o preço das casas está 30% menor do que o normal, porque sem crédito os americanos não compram casas e a falta de oferta desvaloriza os imóveis. A ação do FED também quer aumentar o crédito para a compra de moradias e tentar, assim, recuperar o setor.

Os outros U$200 bilhões do plano serão convertidos em crédito para o consumidor. Através de empréstimos, o dinheiro vai servir para pagar dívidas com cartões de crédito, automóveis e anuidades das universidades, que variam em torno de U$ 30 mil dólares.

Navios russos chegam à Venezuela para exercícios militares

Uma frota naval da Rússia atracou na Venezuela nesta terça-feira. Os navios de guerra russos vão realizar manobras conjuntas com a Marinha da Venezuela no Caribe. Até o fim do mês, os exercícios serão no próprio porto onde os navios atracaram. Já a partir de 1º de dezembro, as atividades vão acontecer em alto-mar.
Não por acaso, o presidente da Rússia Dmitri Medvedev chega hoje à Venezuela para visitar Hugo Chávez. O presidente venezuelano negou que a ação militar seja uma provocação aos Estados Unidos ou um reavivamento da Guerra Fria.

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Política Voz

É pra rir ou pra chorar?

Gabriel, o Pensador

O Brasil proclamou sua independência, mas o filho do rei é que assumiu a gerência.
O povo sem estudo não dá muito palpite, e a nossa república é só pra elite.
(E quem faz greve o patrão ainda demite).
É pra rir ou pra chorar?

O Brasil aboliu a escravidão, mas o negro da senzala foi direto pra favela.
Virou um homem livre e foi pra prisão.
Só que a tal da liberdade não entrou lá na cela.
(E a discriminação ainda é verde e amarela).
É pra rir ou pra chorar?

O Brasil foi parar na mão dos militares, que calaram o povo no tempo da ditadura.
Torturaram e prenderam e mataram milhares, mas ninguém foi condenado pelos crimes de tortura.
(E tem até torturador lançando candidatura).
É pra ri ou pra chorar?

O Brasil conseguiu as eleições diretas, mas a gente que vota ainda é semi-analfabeta.
O Collor foi eleito e roubou até cansar.
O povo deu um jeito de cassar o marajá.
Mas ele não foi preso e falou que vai voltar!
É pra rir ou pra chorar?

O Brasil tem mais terra do que a china tem chinês, mas a terra tá na mão dos grandes latifundiários.
A reforma agrária, ninguém ainda fez.
Ainda bem que os sem-terra não são otários.
(E tudo que eles querem é direito a ter trabalho).
É pra rir ou pra chorar?

O Brasil tem miséria mas tem muito dinheiro, na mão de meia dúzia, no banco suíço.
O rico sobe na vida feito estrangeiro, e o pobre só sobe no elevador de serviço.
(E você aí fingindo que não tem nada com isso?)
É pra rir ou pra chorar?

O Brasil tem um povo gigante por natureza que ainda não percebe o tamanho dessa grandeza.
Sempre solidário no azar ou na sorte, um povo generoso, criativo e risonho.
Poderoso, e tem um coração batendo forte que põe fé no futuro do mesmo jeito que eu ponho.
E vai ter que ser independência ou morte. Um por todos, e todos por um sonho.

É pra rir ou pra chorar?
É pra rir ou pra voltar?
Pra seguir ou pra parar?
Pra cair ou levantar?
É pra rir ou pra chorar?
Pra sair ou pra ficar?
Pra ouvi ou pra falar?
Pra dormir ou pra sonhar?
É pra ver ou pra mostrar?
Aplaudir ou protestar?
Construir ou derrubar?
Repetir ou transformar?
É pra rir ou pra chorar?
Pra se unir ou separar?
Agredir ou agradar?
Pra torcer ou pra jogar?
Pra fazer ou pra comprar?
Pra vender ou pra alugar?
Pra jogar pra perder ou pra ganhar?
Dividir ou endividar?
Dividir ou individualizar?
É pra rir ou pra chorar?!

A Questão é: Internacionalização da Amazônia

  • Polêmica gerada por uma e-mail viral e declaração de Al Gore, político norte-americano que afirmou que “ao contrário do que os brasileiros pensam, a Amazônia não é deles, mas de todos nós”.
  • Um argumento possível é o do artigo “A Internacionalização da Amazônia”,  de Cristóvam Buarque, que diz que se for válida a internacionalização da Amazônia, é válida a internacionalização de todos os museus do mundo, do deserto do Saara, das ogivas nucleares e etc.
  • Possível comparação do interesse dos Estados Unidos no petróleo do Iraque e na biodiversidade da Amazônia.
  • Os países latino-americanos não podem munir outros países de argumentos como “eles não são capazes de proteger a Amazônia” ou “o desmatamento só vem crescendo”.
  • Interesses da população nativa: serão internacionalizados?

O dia da consciência negra e Jane Elliot

Ontem foi feriado em mais de 300 cidades brasileiras devido à comemoração do Dia da Consicência Negra. A data coincide, não por acaso, com a morte de Zumbi. No século XVII, o escravo fugido fundou o quilombo dos Palmares, o maior que já existiu. Atualmente, é o símbolo da luta contra a discriminação racial.

Em São Paulo, a Unipalmares, conhecida por ser a única instituição de ensino superior na América Latina a ter 87% dos alunos negros, já formou sua primeira turma em novembro de 2007.

Ontem, (20/11) foi aprovado na Câmara um projeto que obriga as universidades federais a reservarem 50% das vagas para estudantes que cursaram o Ensino Médio em escolas públicas. Metade dessas vagas são destinadas a negros, índios e pardos.

Entre os fatos mais importantes relativos à questão racial, está a eleição do primeiro presidente negro dos Estados Unidos, Barack Obama. O fato de um negro ser eleito presidente de um país que viveu uma guerra civil intimamente ligada à divergências sobre a escravidão e que, até os anos 60, vivia um regime de segregação racial torna o fato ainda mais emblemático.

O racismo nos Estados Unidos é completamente diferente daquele que conhecemos no Brasil. Aqui, vivemos em uma sociedade miscigenada. Por lá, negros e brancos ainda vivem separados. Nas universidades, negros são constantemente humilhados pelos colegas.

Jane Elliot, professora e socióloga, desenvolve desde a década de 60, exercícios para combater o racismo na sociedade norte-americana. De maneira exagerada, Jane mostra a universitários brancos as situações vividas pelas minorias nos Estados Unidos.

Imagem de "O olhar indignado de Jane Elliot"

Imagem de "O Olhar indignado de Jane Elliot"

Ela ficou mundialmente conhecida após ter suas atividades publicadas em documentário como “O olhar indignado de Jane Elliot” e “Olhos azuis”.

Para ver “Olhos azuis”, basta acessar as 12 partes do documentário postadas no You Tube.

“Olhos Azuis” (“Blue Eyed”)

Documentário
93 minutos, 1996

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Olhos Azuis 02
Olhos Azuis 03
Olhos Azuis 04

Olhos Azuis 05
Olhos Azuis 06
Olhos Azuis 07
Olhos Azuis 08
Olhos Azuis 09
Olhos Azuis 10
Olhos Azuis 11
Olhos Azuis 12

por Mário Braga

Faria alguma diferença?

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Peça publicitária instigante:

“Let the issues be the issue”.

Em tradução livre, a idéia é “Deixe as questões que importam serem o centro das atenções”.

Com a eleição de Obama, os EUA viram uma página de sua história. Até a década de 60, negros usavam banheiros diferentes, sentavam em partes diferentes do ônibus e eram amplamente discriminados pelo resto da sociedade.

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Na verdade, negros ainda são amplamente discriminados pelo resto da sociedade. O fato de terem eleito Obama para presidente é um indício de que esse cenário pode mudar. A liberdade pode, enfim, raiar para todos.

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É um sinal de que “Esperança” e “Mudança”, as palavras mais usadas por Obama duranta a campanha, podem virar realidade.

por Mário Braga

A Sangue Frio: obra-prima de Truman Capote

Capa do livro "A Sangre Frio", publicado pela Companhia das Letras

Capa do livro "A Sangue Frio", lançado pela Companhia das Letras

Sangue frio. Foi do que Truman Capote precisou para passar seis anos dedicando-se a um trabalho para a revista The New Yorker. Uma nota em um jornal sobre o assassinato de uma família no interior do Kansas chamou a atenção de Capote e o jornalista, de baixa estatura e comportamento afeminado, foi para Holcomb, local do crime.

Por um bom tempo, Capote permaneceu na cidade conversando com os moradores, amigos das vítimas, investigadores do KBI – Kansas Boreau of Investigation – responsáveis pelo caso e, posteriormente, com os assassinos. Em conversas informais, sem o uso de gravadores, o jornalista da The New Yoker pôde coletar um amontoado de informações mais do que suficiente.

Herbert, Bonnie, Nancy e Kenyon

Herber, Bonnie, Nancy e Kenyon

Em A Sangue Frio, Capote descreve com minúcias o perfil dos quatro assassinados. Herbert Clutter, 48 anos, fazendeiro bem sucedido, homem religioso e querido pela comunidade. Sua esposa, Bonnie Fox, 45 anos, mãe de quatro filhos, que passava por momentos de depressão. Nancy, “queridinha da cidade”, sonhava em entrar na universidade para estudar artes. Kenyon, o caçula da família, mais quieto, passava boa parte do tempo no porão da casa, fazendo trabalhos de marcenaria. Todos os quatro amarrados e mortos a tiros na madrugada do dia 15 de novembro de 1959, em sua própria casa.

Os assassinos eram Dick Hickock e Perry Smith. Ambos com passagem pela penitenciária do Kansas, onde se conheceram. Foi lá também que Dick conversou com um ex-empregado do Sr. Clutter, que informou com detalhes onde ficava a casa, a disposição dos cômodos e disse ainda acreditar que havia um cofre no escritório de Herbert. Cofre, este, que nunca existiu.

Após serem presos, Capote teve acesso aos criminosos e estabeleceu uma relação de confiança com eles. Esse laço permitiu que o jornalista soubesse, com detalhes, todos os passos da dupla antes de chegarem a Holcomb e sua posterior passagem pelo México e pela Flórida. O jornalista pôde também conhecer um pouco da história de Perry e de Dick.

Perry e Dick
Os assassinos: Perry e Dick

O resultado de todo o trabalho foi a publicação, em quatro edições consecutivas da The New Yorker, de A Sangue Frio. A obra foi um marco na história do jornalismo. Polêmico, Capote se intitulou o fundador do gênero “romance de não-ficção”. Recebeu muitas críticas que sustentavam que outros escritores já haviam feito trabalhos similares. A corrente do novo jornalismo escrevia reportagens com o encanto da literatura. O texto de Capote, mesmo fiel à realidade, é capaz de prender o leitor por páginas e páginas, que conduzem ao enforcamento dos assassinos e a uma conversa no cemitério de Garden City entre o agente Dewey, responsável pelo caso, e Susan, melhor amiga de Nancy. Essa talvez seja a passagem mais polêmica da obra. O jornalista admitiu que tal conversa não fora baseada em depoimentos reais e foi, por isso, alvo de várias críticas. Como em um romance de não-ficção o desfecho pode ser fruto da imaginação do escritor? Enfim, mesmo com tal questão, é inegável o talento de Capote e a obra de arte resultante do seu trabalho. A Sangue Frio foi escrito com cautela e precisão. Foi escrito a sangue frio.

por Mário Braga

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